A quase dois anos morando em Belo Horizonte, capital mineira, valorizo as experiências vividas e os conhecimentos recebidos de meu seio familiar e de meu amado Estado. Sinto falta de muito com o que comumente convivia, estou em uma cidade diferente mesmo que muito semelhante ao Rio. Os costumes, as tradições e a interação humana é bem distinta. No inicio sofria muito com essa mudança, porém hoje me acostumei e aprendi que a cada instante no apoio ou no abandono, temos que saborear cada momento da vida e extrair das pessoas ao nosso redor, somente o que há de bom, mesmo que todos não enxerguem isso.
Falta me faz a musicalidade em que fui embalado desde tenra idade, a brisa que percorre cada canto de minha cidade, o canto dos pássaros, os pardais e pombos, as conversas de vizinhos, sentar no portão de casa, dar bom dia, boa tarde e boa noite a todos e sem exceção.
Sou da terra em que a chuva sempre vem visitar-nos e o sol brinca de nos colorir desde o mais belo dourado de ouro até a mais refinada cor de peroba. Onde os morros e serras se distinguem em si e emolduram um belo cenário para sonhar e alcançar o sopro do Criador. Que belos são os órgãos que formam a serra, mostrando o homem como a mais bela criatura sobre a terra. As araras que outrora zelavam pelo serrano relevo ao sul, hoje paredões de majestade beleza que de longe parecem da cor azul.
Das águas nem falo muito, as belas águas do Atlântico, as bençãos que do céu se precipitam, as doces e caudalosas que percorrem as fluminenses planícies e formam belos lagos, baías e lagoas.
Saudades de minha engraçada e alegre família onde a cada dia descubro algo novo. Saudades também da comida que me fortaleceu durante tanto tempo, sua herança advinda de muitos povos.
Por hora escrevo este pouco, espero poder registrar mais de minhas memórias.
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